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Quase um terço dos brasileiros admite utilizar agressão em crianças; prática é proibida por lei
Por Sandro Costa
Publicado em 04/08/2025 15:45
Noticias

Apesar da proibição por lei, 29% dos cuidadores de crianças de até seis anos ainda admitem o uso de castigos físicos como forma de disciplina. Desses, 13% afirmam adotar a prática com frequência. Os dados fazem parte do estudo Panorama da Primeira Infância: O que o Brasil sabe, vive e pensa sobre os primeiros seis anos de vida, divulgado nesta segunda-feira (1º) pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal.

A pesquisa, realizada em parceria com o Instituto Datafolha, entrevistou 2.206 pessoas em todo o Brasil, sendo 822 responsáveis diretos por crianças nessa faixa etária. O levantamento integra as ações do Agosto Verde, campanha que visa conscientizar sobre a importância da primeira infância.

Segundo o estudo, 17% dos cuidadores consideram os castigos físicos uma forma eficaz de disciplina, enquanto 12% reconhecem que agridem mesmo sabendo da ineficácia do método. Gritos e brigas também foram citados por 14% dos entrevistados.

A chamada Lei da Palmada (Lei nº 13.010/2014), em vigor desde 2014, proíbe qualquer forma de castigo físico ou tratamento cruel contra crianças e adolescentes. A legislação prevê medidas socioeducativas para os responsáveis, como advertências e encaminhamentos para programas de orientação. A norma foi batizada em memória de Bernardo Boldrini, morto aos 11 anos após sofrer maus-tratos do pai e da madrasta no Rio Grande do Sul.

Mariana Luz, diretora-executiva da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, critica a manutenção de um padrão cultural enraizado. “A gente é o país do ‘eu apanhei e sobrevivi’. Um país que vê a criança como inferior”, afirmou em entrevista à Agência Brasil. “Não ajuda e não resolve”, concluiu, ao se referir às agressões físicas como método educativo.

Ainda segundo o levantamento, os métodos disciplinares mais utilizados são o diálogo e a explicação sobre o erro (96%), seguidos pela tentativa de acalmar a criança e retirá-la da situação (93%). No entanto, 40% dos que praticam agressões acreditam que elas resultam em maior respeito à autoridade, enquanto 33% reconhecem que geram comportamentos agressivos. Já 21% admitem que a prática pode levar a baixa autoestima e falta de confiança na criança.

A pesquisa também revelou um desconhecimento generalizado sobre a importância da primeira infância. Apenas 2% dos entrevistados souberam definir corretamente o período — do nascimento até os seis anos, conforme a legislação brasileira. E 84% desconhecem que esta é a fase mais importante para o desenvolvimento humano.

Mariana Luz destaca que é nesse período que se formam 90% das conexões cerebrais, com cerca de um milhão de sinapses ocorrendo por segundo no cérebro infantil. “Todos os picos do desenvolvimento físico, motor, cognitivo e socioemocional acontecem nos primeiros seis anos”, ressaltou.

Apesar das evidências científicas, 41% dos entrevistados acreditam que a fase de maior desenvolvimento ocorre na vida adulta, enquanto 25% apontam a adolescência.

Para a diretora, é necessário ampliar o debate público e as campanhas de conscientização. Ela citou estudos do economista e Nobel James Heckman que mostram que, para cada dólar investido na primeira infância, há um retorno social de até sete dólares. “Os ganhos são evidentes em educação, saúde, segurança pública, e geração de renda”, afirmou.

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